quarta-feira, 8 de maio de 2013

"Sociedades de Controlo" de Gilles Deleuze

É no no Post-Scriptum: "Sobre as Sociedades de Controlo”, de Gilles Deleuze, que é feita uma abordagem do autor em relação ao tipo de sociedades existentes e que outrora se encontravam em vigor, fazendo referência a perspectiva do assunto por parte de Michael Foucault.
É da modernidade para a contemporaneidade que se verifica uma mudança do género de sociedade, segundo pontos de vista de Foucault e Deleuze


Foucault considera a sociedade como “disciplinar”, ao contrário de Deleuze que defende uma sociedade identificada como de “controlo”, em que esta se encontra a frente das sociedades disciplinares.
A sociedade de controlo é onde todo o poder é concentrado sobre a vida, onde passa a existir uma noção do tempo por parte dos indivíduos. Ao contrário das sociedades disciplinares, é feito um controlo modelar e não estático, ou seja, o controlo é feito através da máquina.
A sociedade disciplinar é onde é feita uma coordenação da acção, á distancia, sobre os indivíduos num determinado tempo e espaço. Verifica-se a organização de vários meios de encarceramento, ou seja, espaços fechados regidos por determinadas regras e valores, como por exemplo na escola.



Podemos encontrar várias diferenças na constituição destes dois modelos sociais. Enquanto a sociedade disciplinar aposta num modelo de vigilância panóptico, onde o observador encontra-se presente na vigilância e observação do individuo, ao contrário da sociedade de controlo em que essa mesma vigilância tornou-se totalmente virtual. 
Ao mesmo tempo que as sociedades de controlo apostam numa “anti - arquitectura”, ou seja, uma ausência de casas e prédios num processo de alteração para o mundo virtual, as sociedades disciplinares são consideradas totalmente arquitecturais.
É importante perceber que nem todos os valores das sociedades disciplinares foram perdidos, mas sim incorporados neste novo modelo. A sociedade de controlo remodelou vários pilares das sociedades disciplinares.
Na abordagem ao tema Deleuze pretendia que, através da transição dos modelos de sociedade, a imagem se esvaziasse da sua informação, de modo a torna-la pura.
O mesmo ainda faz uma abordagem às sociedades de soberania, que estavam em vigor até ao séc. XVIII, que se encontravam fechadas num determinado espaço hierárquico. O seu maior interesse pressuponha a decisão da vida ou da morte por parte de uma determinada estrutura hierárquica, não existindo qualquer interesse na produção.
Actualmente encontramo-nos numa fase de transição entre os dois modelos, onde nos ausentamos de uma forma de encarceramento para um controlo aberto.




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