Para Foucault as utopias
recebem atenção especial por persistirem como um ideal de civilização presente
em todas as sociedades. Ele considera as utopias como colocações sem lugar no
real que mantém relações analógicas com o espaço real da sociedade, apesar de
se tratar de espaços que não existem.
Em oposição, podemos
considerar todos os lugares reais e localizáveis, assim como todas as
colocações reais que representam, de heterotopias.
Inicialmente há que referir o que podemos considerar de “zona
mista” entre utopia e heterotopia, que neste caso seria o espelho. O espelho é
considerado uma utopia pois o que ele reflete não existe, ao mesmo tempo que
existe e reflete um efeito de retorno sobre o lugar que ocupa, o que é
considerado uma heterotopia.
As heterotopias fazem parte
da constituição de qualquer cultura, sendo uma regularidade em qualquer grupo
humano, podendo ser classificadas em dois grandes tipos.
As heterotopias de crise, que tendem a desaparecer,
referem-se a lugares privilegiados ou sagrados, onde apenas o individuo, em
relação à sociedade em que vive, se encontra num estado de crise. O “desflorar”
a mulher ou o serviço militar é considerado exemplo.
As heterotopias de desvio
são todas aquelas em que o comportamento do individuo não se regula pelo modo
ou norma que é exigido, nomeadamente casas psiquiátricas ou prisões.
Cada
heterotopia tem um funcionamento preciso e determinado dentro de uma sociedade.
Podemos considerar a heterotopia do cemitério que deixou de ser considerado um
local comum a todos os habitantes e família, que se encontrava ao lado da
igreja no centro da cidade, para ser considerado um local propagador de doenças
mortais colocado nas periferias.
Outra heterotopia a considerar seria
relacionado com as artes, onde através do teatro e do cinema é possível colocar
num só espaço real várias colocações incompatíveis entre eles. O teatro permite
a representação de vários lugares estranhos uns aos outros, enquanto o cinema
permite a projeção de três dimensões.
Não podemos deixar de referir uma das heterotopias mais antigas, relativamente aos jardins. Era nos tempos dos Persas que os jardins eram constituídos por quatro partes representativas dos quatro cantos do mundo, compostos por vegetação e tapetes representativos desse espaço. Desde a Antiguidade que é considerada a heterotopia mais feliz e universalizante, o que explica a origem dos jardins zoológicos.
Não podemos deixar de referir uma das heterotopias mais antigas, relativamente aos jardins. Era nos tempos dos Persas que os jardins eram constituídos por quatro partes representativas dos quatro cantos do mundo, compostos por vegetação e tapetes representativos desse espaço. Desde a Antiguidade que é considerada a heterotopia mais feliz e universalizante, o que explica a origem dos jardins zoológicos.


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